segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Impulsiva

(Saudosismo)
" Sou o que se chama de pessoa impulsiva.
Como descrever ?
Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu,
em vez de refletir sobre o que me veio,
ajo quase que imediatamente.

O resultado tem sido meio a meio:
às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham,
às vezes erro completamente,
o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos.
E até que ponto posso controlá-los.
Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente ?
Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta ?
E também tenho medo de tornar-me adulta demais:
eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto.
E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso.
Não sou madura bastante ainda.
Ou nunca serei. "

Clarisse Lispector

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eu te amo... não diz tudo!

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso?

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida,

Que zela pela sua felicidade,
Que se preocupa quando as coisas não estão dando certo,

Que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas,
E que dá uma sacudida em você quando for preciso.

Ser amado é ver que ele lembra de coisas que você contou dois anos atrás,

É ver como ele fica triste quando você está triste,
E como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. Sente-se amado aquele que não vê transformada a mágoa em munição na hora da discussão.

Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro.
Aquele que sabe que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é,
Sem inventar um personagem para a relação,
Pois personagem nenhum se sustenta muito tempo.

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira;
Quem não levanta a voz, mas fala;
Quem não concorda, mas escuta.

Agora, sente-se e escute: Eu te amo não diz tudo!

"Para conquistarmos algo na vida não é necessário, apenas, força ou talento; é preciso, acima de tudo, ter vivido um grande amor"

Arnaldo Jabor

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Erros

Sou uma pessoa humana, grande parte do meu tempo.
Sendo assim, componho erros e tenho muitos outros defeitos, além de ser humana e distraída.
O que não tolero, e este pode ser também um outro defeito meu, é o desafeto que podem ter pelo erro cometido, abandonar o erro ao esquecimento.
Sabe aquelas pessoas que simplesmente não se importam com o erro e não tentam evitá-lo ou corrigi-lo. Isso até me irrita.
Poxa, é uma questão de caráter mesmo e bom senso. Ainda mais quando se prejudica também uma outra pessoa. Pode até ser pior por isso.
Quando há outra pessoa envolvida é maldade se despreocupar.
Eu sou a favor do respeito entre pessoas. Entre as atitudes de cada um. Mas tem que existir algum bom sentimento flutuando por ali quando não se está sozinho. Tomara que a maturidade dos anos que virão me acrescente um pouco mais de tolerância, ou mais calma com esse tipo de coisa.

agosto/2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A Matadeira


A matadeira vem chegando
No alto da favela
No balanço da justiça
Do seu criador
Salitre, pólvora,
Enxofre, chumbo
O banquete da terra
Teatro do céu
Diz aí quem vem lá,
O velho soldado
O que traz no seu peito ?
A vida e a morte
E o que traz na cabeça ?
A matadeira
E o que veio falar?
Fogo

"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão exata do termo, caiu no dia cinco de outubro de 1897, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados".
Euclides da Cunha, Os Sertões.

* Canudos foi uma pequena aldeia no nordeste do Brasil, fundada pelo líder messiânico Antônio Conselheiro e massacrada por um poderoso exército até a morte do último de seus 30 mil habitantes, em 5 de outubro de 1897. O massacre de Canudos deu-se a partir de um canhão inglês, apelidado pelos sertanejos de "A MATADEIRA", que foi transportado por vinte juntas de boi, empurrada por cerca de dez soldados e acompanhado por cerca de cem soldados da infantaria e da cavalaria através do sertão para disparar um único tiro.