Do dicionário: medo (do Lat. metu) s. m., terror; receio; susto.
Pra mim medo é uma forma de preparação.
Do corpo adiantar-se para o que poderá acontecer. E a mente também.
Se sentir aflito, assustado, sem saber o que virá.
Sensação de fragilidade às vezes nos mostra o quanto temos força e o quanto
estamos naturalmente prontos para viver.
Sentir adrenalina intensificar-se pela corrente sanguínea, o coração acelerar.
Ah, o medo pode ser um aliado, pode ser também um jeito de se descobrir.
O temor está subentendido no verbo viver.
Ter medo de alguma coisa é humano, íntimo e inegável.
Eu quero mais é superá-lo!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Amar
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 6 de dezembro de 2008
Outra
Entre um copo e outro
Da mesma bebida
Entre tantos corpos
Com a mesma ferida...
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
que não passa por aqui.
(Humberto Gessinger)
Da mesma bebida
Entre tantos corpos
Com a mesma ferida...
Eu me sinto um estrangeiro
Passageiro de algum trem
que não passa por aqui.
(Humberto Gessinger)
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