sábado, 14 de março de 2009

Os Três Mal-Amados

João Cabral de Melo Neto


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

sexta-feira, 13 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Aversão a liberdade


O ser humano não é educado e nem preparado para a liberdade.
Por que será que existe a religião, o Estado, a civilização ?

Nossa essência é o descontrole.

Talvez seja a sociedade que nos modifique desde o início, na nossa primeira infância.

A liberdade é nociva, não sabemos lidar com ela quando a temos sob domínio.

Ela é mais profunda do que pode parecer.

Não é regra, mas bem é comum não saber o que fazer com o real sentimento de ser livre.

Até naquele sentimento superficial de uma viagem, ter muito dinheiro, estar sozinho ou da felicidade, é difícil. Difícil lidar com a supremacia do poder. Poder fazer o que quiser. Ser livre para poder. A liberdade é o próprio poder de ser.

Porque com a plenitude de ser livre mesmo, não sabemos lidar.

O indivíduo tem necessidade de limites.

E por isso é feliz prisioneiro até das suas idéias.







quarta-feira, 4 de março de 2009

Postando

Ufa!!
Que correria essa do cotidiano...
Eu que o diga!
Mas o mais legal de tudo é que eu estou fazendo aquilo que eu escolhi. Trabalhando agora com o que eu gosto, estudando o que eu gosto e me satisfazendo cada vez mais com esse meu novo e apaixonante dia a dia.
Tudo bem que está tudo apertado. Acordar, estagiar e depois assistir as aulas. Tá uma loucura.
Tem ainda todos os gastos das matérias que estão consumindo meu obscuro bolso. (Material caríssimo!! :P)
E ainda a vida pessoal.
Tudo exige muito de mim agora. Deus me dê força e resistência.
Espero pela recompensa futura, do prazer de continuar com mais "alívio" esse meu caminho.
Faço desse post a minha oração.
Amém!


Acho que vou sumir por algum tempo do blog.
Os motivos aqui estão esclarecidos.

Beijo grande!!